NO MÊS DAS CRIANÇAS, OFTALMOPEDIATRA LUSA REIS DESTACA A IMPORTÂNCIA DO CONTATO COM A NATUREZA, DA CONVIVÊNCIA E DE NOVAS DESCOBERTAS

07 de outubro de 2026, 11:23

Os cuidados com a visão na infância vão além da identificação de alterações oculares e da necessidade de correção de grau. A forma como a criança observa, explora e interage com o ambiente também participa do seu desenvolvimento, e experiências como brincar, estar ao ar livre, conviver com outras pessoas e conhecer novos lugares fazem parte desse processo. O tema ganha destaque neste mês das crianças, período que também reforça a importância dos cuidados com a saúde infantil.


Especialista em Oftalmopediatria e vice-presidente da Sociedade Sergipana de Oftalmologia, a Dra. Lusa Reis explica que a visão é uma das principais formas pelas quais a criança conhece o mundo e desenvolve diferentes habilidades. “A visão é uma das portas de entrada para o desenvolvimento da criança. É através da visão que ela aprende com o próximo, com seus pares, e consegue integrar informações importantes para seu desenvolvimento”, afirma.


Na prática, esse processo pode ser estimulado em situações simples, como brincadeiras, passeios e viagens, especialmente quando envolvem contato com a natureza e novos ambientes. Viagens em família, mesmo para destinos próximos, e atividades escolares fora da sala de aula também podem ampliar o repertório visual da criança.


“As experiências visuais acontecem quando a criança brinca com outras crianças, está em ambientes ao ar livre, em contato com a natureza, vê o exemplo dos pais e brinca com quem cuida dela. Ter um ambiente saudável dentro de casa, onde ela possa ver coisas que contribuam para o seu crescimento, são pontos fortes para essas experiências”, explica a especialista.


A médica oftalmologista também orienta os pais a estimular os interesses das crianças, sem sobrecarregar a rotina com cursos e atividades. “Ajudar a criança a fazer arte, tocar um instrumento musical, criar uma coleção de selos, colecionar pedras e fazer experiências científicas pode despertar dons e talentos desconhecidos”, completa.


Atenção às telas


O uso de telas também merece atenção, especialmente nos primeiros anos de vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece recomendações relacionadas ao tempo de exposição a dispositivos eletrônicos, como televisão, celular e tablet.


Para crianças com menos de dois anos, a orientação é evitar o contato com telas. Entre 2 e 4 anos, o tempo de tela deve ser restrito a, no máximo, uma hora por dia. A partir dos 5 e 6 anos, esse tempo pode chegar a até duas horas diárias, sempre com controle dos responsáveis.


“Quanto menos a criança for exposta, na primeira infância, a estímulos visuais que não fazem parte de experiências naturais e não envolvem contato humano, melhor será para o seu desenvolvimento”, orienta a especialista.


Sinais que merecem atenção


Os pais também devem ficar atentos a sinais de dificuldade visual, como estrabismo (desalinhamento entre os olhos), alterações na posição da cabeça e aproximação excessiva de objetos.


“Qualquer tipo de desvio após os quatro meses de idade, é sinal que algo não está bem no desenvolvimento visual e, por isso, precisa ser avaliado. A leucocoria, que é aquela mancha branca dentro do olho, também é um sinal de alerta e precisa ser investigada para descartar o retinoblastoma, câncer comum na infância. Em crianças maiores, apertar os olhos para enxergar, fazer posições de cabeça para conseguir ver e se aproximar muito dos objetos também podem ser sinais de baixa visão”, explica a Dra. Lusa.


Acompanhamento oftalmológico


A atenção à saúde visual também inclui o acompanhamento oftalmológico desde os primeiros meses de vida. O teste do olhinho é realizado ao nascer e, segundo a Dra. Lusa Reis, a criança pode passar pela primeira avaliação oftalmológica completa a partir dos seis meses. Até os três anos, a recomendação é que ela já tenha realizado pelo menos uma consulta. Depois disso, se o exame estiver normal e não houver alterações, as consultas podem ser realizadas anualmente ou, no máximo, a cada dois anos.Foto Eloisa Caregosa