Exército reforça limpeza nas praias atingidas pelas manchas de óleo em SE

28 de Outubro de 2019, 06:40

Neste domingo (27), o trabalho de limpeza das praias de Sergipe ganhou o reforço de homens do Exército Brasileiro. No sábado (26), o 28º Batalhão de Caçadores (28º BC), em Aracaju, recebeu o Comando da 6ª Região Militar a missão de apoiar as ações de resposta aos incidentes de poluição por causa das manchas de óleo, que desde o dia 24 de setembro chegaram ao litoral do estado.


No dia anterior foi realizado um reconhecimento da área com a Marinha do Brasil e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e hoje, por volta das 8h, a tropa começou a executar o serviço nas praias da Atalaia, Cinelândia e Aruana, na Zona Sul da capital.


 


Soldados estão com equipamentos que evitam o contato com a substância  — Foto: Jorge Luiz/TV Sergipe


Soldados estão com equipamentos que evitam o contato com a substância — Foto: Jorge Luiz/TV Sergipe


O grupo trabalha com equipamentos básicos para recolhimento de produto tóxico, luvas reforçadas de silicone, máscaras e sacos de lixo, também reforçados, para evitar vazamentos do óleo.


De acordo com o comandante do 28º BC, coronel José Fernando Carneiro, o alvo dessa missão são as praias com maior contaminação do óleo.


 


“Serão descolados, diariamente, entre 30 e 50 homens. É a Mão Amiga do Exército que leva apoio à sociedade quando ela precisa. Não temos o período de término e a demanda virá sempre dos órgãos ambientais”, completou.

 


 


Reforço do Exército começou por volta das 8h deste domingo (27)  — Foto: Jorge Luiz/TV Sergipe


Reforço do Exército começou por volta das 8h deste domingo (27) — Foto: Jorge Luiz/TV Sergipe


 


Todos os dias, entre 30 e 50 homens estarão realizando a limpeza — Foto: Jorge Luiz/TV Sergipe


Todos os dias, entre 30 e 50 homens estarão realizando a limpeza — Foto: Jorge Luiz/TV Sergipe


 


Novas Manchas


 


Na manhã deste sábado (26), o litoral de Aracaju voltou a registrar as manchas de óleo, que desde o dia 24 de setembro chegaram ao estado, desta vez a substância foi vista nas praia da Cinelândia e Atalaia, na Zona Sul da capital.


Manchas de óleo na Praia da Cinelândia, em Aracaju — Foto: Rodrigo Costa


Manchas de óleo na Praia da Cinelândia, em Aracaju — Foto: Rodrigo Costa


Manchas de óleo na Praia da Cinelândia, em Aracaju — Foto: Rodrigo Costa


Diante do desastre ambiental, o projeto Praia Limpa, que existe em Sergipe há mais de um ano, mobilizou muitos voluntários pelas redes sociais e atraiu dezenas de pessoas. Como o petróleo cru é tóxico e o odor é forte, todos tiveram de usar equipamentos de proteção individual com luvas de silicone e máscaras.


 


Movimento Praia Limpa, em Aracaju — Foto: Cléverton Macedo/TV Sergipe


Movimento Praia Limpa, em Aracaju — Foto: Cléverton Macedo/TV Sergipe


Uma equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Aracaju também se somou e trouxe alguns equipamentos de proteção para distribuir com os voluntários.


 


Carta à sociedade


 


Foi assinada nesta sexta-feira (25), em Aracaju, uma carta à sociedade brasileira relatando o impacto do derramamento de óleo no litoral nordestino. O documento foi elaborado por representantes de mais de 80 comunidades, que dependem diretamente ou não com a pesca.


O assunto foi tema de uma audiência pública organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), através da Comissão de Direitos Humanos, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH).


Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Adema/SE/Arquivo


Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Adema/SE/Arquivo


Manchas voltaram a se encontradas na praia de Pirambu — Foto: Adema/SE/Arquivo


Segundo o presidente da OAB/SE, Inácio Krauss, o encontro serviu para ouvir e debater possibilidades para diminuir os impactos nessas comunidades.


Ao todo, o óleo ainda atingiu 200 localidades nos nove estados do Nordeste. Somente na capital sergipana, já foram recolhidas mais de 231 toneladas da substância.


 


Ampliação do pagamento do Defeso


 


O presidente da República em exercício, Davi Alcolumbre, assinou um decreto da tarde desta quinta-feira (24), durante visita a Aracaju, que determina ampliação do pagamento do auxílio defeso, destinado aos pescadores das localidades afetadas pelas manchas de óleo no litoral sergipano. O anúncio foi realizado durante uma reunião com o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, e representantes dos órgãos que atuam no combate ao avanço do óleo.


 


Aplicação de recursos federais


 


Após liberação de recursos do governo federal no valor de R$ 2,5 milhões representantes da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), Defesa Civil Estadual e Defesa Civil Nacional se reuniram, na manhã desta terça-feira (22), para discutir como empregar o dinheiro. O encontro foi realizado na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade do Estado (Sedurbs), em Aracaju.


Com o recurso, entre as medidas a serem adotadas está a contratação de uma empresa para limpeza dos locais atingidos pelo óleo. Além da disponibilização de 500 kits com luvas, óculos, sacos plásticos, e outros equipamentos de proteção individual que devem chegar ao estado ainda esta semana.


 


Liberação de recursos


 


Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), autorizou, na segunda-feira (21), o repasse de R$ 2,5 milhões para o estado de Sergipe utilizar na limpeza das praias afetadas pelo derramamento de óleo.


O estado decretou situação de emergência no dia 5 de outubro, que foi reconhecida pelo governo federal 10 dias depois, para as cidades de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Brejo Grande, Estância, Itaporanga D’Ajuda, Pacatuba e Pirambu. Já no dia 17, o Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil da Secretaria de Estado da Inclusão Social solicitou R$ 22 milhões para restabelecer a costa sergipana.


Segundo o Ministério, os recursos federais poderão ser utilizados pelo em serviços complementares para limpeza do litoral, viabilização de pontos estratégicos de coleta e transporte do material. A expectativa é que mais repasses sejam autorizados para outros estados, de acordo com o recebimento das solicitações.


 


 Neste sábado (12) foram instalados 75 metros de boias absorventes por equipes da Adema no Rio Vaza-Barris, em Aracaju — Foto: Adema/Divulgação


Neste sábado (12) foram instalados 75 metros de boias absorventes por equipes da Adema no Rio Vaza-Barris, em Aracaju — Foto: Adema/Divulgação


 


Reforço da contenção


 


Entre as medidas definidas nos relatórios pelos órgãos ambientais na quinta-feira, está a instalação de mil metros de boias em locais que ainda estão sendo analisados como prioridade. O material que deverá ser instalado em pontos estratégicos de Sergipe foi disponibilizado pela Petrobras. Um outro ponto discutido durante a reunião foi o risco da colocação de boias para a navegação nos rios do estado.


 


Polêmica sobre as barreiras


 


No último dia 12, o governo sergipano iniciou, no rio Vaza-Barris, a instalação de barreiras alugadas pelo valor de quase R$ 7 mil por dia. A administração estadual esperava que a Petrobras pudesse enviar equipamento de proteção para conter a mancha, mas as barreiras de proteção não chegaram.


O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que veio a Aracaju no dia 7 de outubro para avaliar a situação, afirmou, no dia 14, que iria cumprir a determinação da Justiça Federal e colocar as barreiras de contenção em rios de Sergipe, mas alegou que elas não seriam eficientes para conter as manchas de óleo. O Ibama seguiu a afirmação. Já a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), disse que a escolha pelo material ocorreu com avaliação técnica e que a eficácia é comprovada.


 


Análise das manchas


 


No dia 16, Ricardo Salles, esteve no campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no município de São Cristóvão (SE) onde se reuniu com o professor do Departamento de Química e coordenador do laboratório de Petróleo e Biomassa, Alberto Wisniewski Jr., responsável pela análise do óleo coletado nas praias do litoral sergipano.


"A opinião do que nós vimos aqui é a hipótese de que esse óleo dos barris tenha relação com o óleo encontrado nas diversas manchas encontradas no litoral. E que, portanto, dão mais um elemento para a investigação que está sendo muito bem feita pela Marinha do Brasil, sobre a origem desse fato que é o derramamento de óleo no litoral”, disse o ministro.


FONTE: G1-SE.