Bombeiros encontram mais três corpos e número de mortos na Muzema vai a 19

17 de Abril de 2019, 17:03

Corpo de Bombeiros retirou, nesta quarta-feira, 17, mais três corpos nos escombros dos dois prédios que desabaram em Muzema, na Zona Oeste do Rio, na sexta-feira 12. Com isso, sobe para 19 o número de mortos causados pela tragédia. A corporação trabalha com a possibilidade de ainda haver quatro desaparecidos.


Em nota, os Bombeiros afirmaram que as vítimas resgatadas nesta quarta são dois homens e uma mulher, todos adultos. A corporação ressaltou que, após a identificação do Instituto Médico Legal (IML), foi constatado que uma das pessoas consideradas desaparecidas estava, na verdade, entre os óbitos. 


Este é o sexto dia de buscas no condomínio Figueiras do Itanhagá, onde os dois edifícios desabaram. O efetivo empregado na operação conta com 100 militares, cães farejadores, drone, helicópteros, ambulâncias e viaturas de recolhimento de cadáveres.


Demolição de prédios


A prefeitura do Rio de Janeiro pretende demolir três prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá assim que acabar o trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros nos escombros dos dois edifícios que desabaram. Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação, serão demolidos “de imediato” os prédios ao lado da área do desabamento e o que fica logo acima deles.


A Secretaria realizou o escoramento de prédios ao lado da área do desabamento, para a segurança dos profissionais que atuam no local. Depois da derrubada, a Prefeitura informou que vai trabalhar para demolir todas as edificações irregulares no local, o que deve levar mais tempo por depender de decisões judiciais. Até o momento, são contabilizados treze prédios total ou parcialmente interditados por apresentarem riscos estruturais.


Desde o desabamento, a prefeitura informou que sessenta famílias já foram atendidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, sendo 38 desalojadas e catorze desabrigadas. Não foi necessário acolhimento em abrigos porque as famílias desabrigadas foram para casas de parentes e amigos.


As obras dos dois edifícios eram irregulares e estavam formalmente embargadas desde novembro, segundo a administração do prefeito Marcelo Crivella (PRB). No entanto, como a própria prefeitura reconheceu em nota, Muzema é área “controlada por milícia”, os grupos paramilitares formados, em sua maioria, por ex-policiais militares que dirigem e exploram bairros inteiros da cidade.


Em virtude da atuação dos milicianos, que, de acordo com especialistas, não isenta a gestão municipal de nenhuma responsabilidade sobre o ocorrido, a fiscalização era dificultada e pessoas continuavam a viver no local. Moradores pagavam cerca de 100 reais por mês à milícia para viver no condomínio.


FONTE: VEJA